Festivais de Música
Popular Brasileira: Os detalhes de uma noite em 67
Erica Haynes
Na
década de 60, o Brasil vivia uma grande efervescência cultural. Foi nesse
período de otimismo com a MPB que foram criados, pela TV Record, os Festivais
de Música Popular Brasileira, promovidos entre os anos de 1965 a 1985. Os
grandes astros eram os músicos e cantores.
Nos
festivais, novos talentos podiam apresentar as recentes criações e, assim,
conquistar um espaço na cena musical. A importância dos Festivais de Música
Popular Brasileira diz respeito à comoção que instauraram na época, as
discussões que promoveram e o valor que representaram durante a ditadura. Por
isso, vamos entender qual o significado dos festivais para o contexto que o
Brasil vivia no período.
O
Tropicalismo ganhou força a partir do 3º Festival de Música Popular Brasileira,
transmitido em 1967. Para desafiar o “bom tom” da música brasileira da época,
Caetano Veloso e Gilberto Gil acrescentaram a suas canções elementos do rock-and-roll,
o que causou estranhamento para muitos. Nessa parte, o objetivo é explicar como
o Tropicalismo rompeu com os antigos moldes da música brasileira.
Na
famosa noite em 1967, Caetano performou “Alegria, alegria”, que retratava
fragmentos da realidade urbana. A esperada vaia terminou abafada por aplausos.
Gil também inovou com a música “Domingo no parque”, acompanhado por Os
Mutantes. Apesar das polêmicas e desgosto de muitos, “Alegria,
alegria” classificou-se em 4º lugar e “Domingo no parque”, em 2º. Vamos entrar
na atmosfera do Festival de 1967, saber o que aconteceu e os rumos que mudaram
a partir de então.
Entrevistado: Paulo
César de Araújo, professor de Comunicação e Música Popular Brasileira.
Tropicalismo:
outras formas de manifestações culturais
Fábio
Dias
O tropicalismo revolucionou a história da
música popular brasileira. Porém, se expandiu por muitas outras esferas
culturais, como as artes plásticas, o teatro, a literatura e o cinema. O
movimento foi fruto de uma mistura de influências da cultura pop – brasileira e
internacional – e de correntes da vanguarda artística da época (como o
concretismo que se instalou na poesia e nas artes plásticas e visuais).
A
Tropicália encontra eco no cinema novo, de Glauber Rocha, que inaugura um novo
modo de se produzir filmes no Brasil. Essa estética procura contrapor novas ideias aos valores estéticos de uma cultura cinematográfica
dominada por interesses industriais. Seus filmes inauguram o que se chamava de
“aventura da criação”. Vamos entender qual a importância desse movimento e
quais os reflexos da obra de Glauber Rocha no cinema nacional.
A
pauta pretende destacar a relevância do Grupo Oficina, criado por José Celso
Martinez, que privilegiava de forma radical e permanente, a
inovação, o experimentalismo, a investigação e a busca de novas linguagens para
o teatro. Vamos ver de que forma o Grupo procurava explorar os limites
criativos do teatro brasileiro em sua época.
No
campo das artes plásticas, Hélio Oiticica é o autor da conhecida frase
"Seja marginal, seja herói", que escreveu em uma bandeira sobre a
foto de um bandido morto publicada em um jornal carioca em 1968, durante a
ditadura, e foi um dos grandes inspiradores do movimento tropicalista com sua
obra "Tropicália". Vamos descobrir o seu papel nas artes plásticas
brasileiras e o porquê os especialistas afirmam que seus trabalhos
ultrapassavam a mera contemplação das obras.
Entrevistados: Sérgio Mota – Professor de Cinema Brasileiro da PUC-Rio.
Giovana Dealtry – Professor de
Comunicação e Literatura da PUC-Rio.
O fim do tropicalismo e o legado que deixou para a cultura brasileira
Giulia Amendola
No
seu auge, o tropicalismo foi tão potente que não só encantou ouvidos, mas
também corações e as ruas brasileiras. Foi bastante criticado e - como tudo que
é bom – teve um “fim”. Tudo o que veio depois disso não saiu ileso, foi
influenciado pelo contexto cultural e político – que teve teor forte no
desenvolvimento do movimento. O tropicalismo criou legado, e, por conseguinte,
um novo discurso. A ideia é analisar e comentar essa herança no Brasil, mas
também comentar a repercussão em outros países que, de alguma forma, foram
tocados pelo movimento.
Vamos
também discutir as causas que levaram ao "fim" do tropicalismo – não
só o marco citado por todos (o exílio de Gil e Caetano), mas também as
consequências culturais e políticas desse “fim”. No entanto, também seria interessante questionar em relação a efetivação do
fim do movimento. Todos citam o mesmo marco, porém, será que se pode afirmar
que algo tão intenso e que influenciou tantos, em tantas áreas da arte e tantos
discursos ao longo das décadas seguintes, realmente teve um fim?
Mais informações podem
ser encontradas no relatório de pesquisa de conteúdo.
Entrevistado: Arthur
Dapieve, professor do departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, da eletiva
de Jornalismo Cultural. É crítico musical e colunista do Segundo Caderno do
jornal O Globo.
Críticas ao Tropicalismo
Isabel Aranha
Apesar de admitirmos
a importância do Tropicalismo, não deixaremos de destacar as críticas ao
movimento. O objetivo da pauta é exibir as opiniões divergentes que o rodeavam
desde o seu desenvolvimento até os dias de hoje. Como alguns artistas na época
negavam a sua importância. O compositor Sidney Miller, por exemplo, já se
mostrava contrário ao Tropicalismo mesmo antes dele receber esse nome. Afirmava
que era um tipo de música internacionalista.
A discordância entre
os artistas também passou a influenciar o conteúdo por eles produzido. As
músicas acabaram servindo como veículo de debate. A falta de combatividade à
ditadura militar, o uso de instrumentos que não pertenciam à cultura popular
brasileira, como a guitarra, e as críticas ao Festival de Música Popular
Brasileira da TV Record. Todos esses serão pontos abordados.
Por fim, vamos
analisar as críticas atuais ao movimento. Destacaremos os trabalhos de Roberto
Schwars e seus embates com Caetano Veloso, que se estendem até os dias de hoje
com a publicação de artigos e o confronto em entrevistas para os principais
jornais do país.
Sites relacionados:
· Texto
“Cultura e Política”, de Roberto Schawrs http://tropicalia.com.br/eubioticamente-atraidos/visoes-brasileiras/cultura-e-politica
· “Verdade
tropical: um percurso de nosso tempo” no livro “Lucrécia versus Martinha”, de
Roberto Schawrs, contraponto ao livro “Verdade Tropical”, de Caetano Veloso. http://ficcoescanibais.wordpress.com/roberto-schwarz-verdade-tropical-um-percurso-de-nosso-tempo/
· Reportagem
com comentário de Caetano Veloso para a Folha de S. Paulo sobre o livro de
Roberto Schawrs http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/37126-caetano-veloso-e-os-elegantes-uspianos.shtml
Schwarz critica seu "traço de
personalidade muito à vontade no atrito mas avesso ao antagonismo", as
"ambivalências" do tropicalismo, o "patriotismo fantasioso"
e "supersticioso" do compositor, sua "defesa do mercado",
seu "confusionismo", sua "cumplicidade" com os agentes que
o prenderam -e por aí vai.
Em suma, o ensaísta afirma que
"Verdade Tropical" "compartilha os pontos de vista e o discurso
dos vencedores da ditadura". Em outro momento, recrimina o
"regressivo" "amor aos homens da ditadura" que Caetano e
Gil expressaram.
· Texto
de Francisco Bosco para O Globo, em 2 maio de 2012: “Esquerda x direita” – Fala
da publicação do livro do Schawrs. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=1478
· Edu
Lobo fala sobre o movimento: http://tropicalia.com.br/ilumencarnados-seres/vozes-dissonantes/edu-lobo
“Fui fundamentalmente contra o
movimento no seu começo, não cheguei a entender bastante e depois talvez com
mais lucidez, entendi muito mais o tipo de trabalho que eles se propuseram a
fazer.”
“Eu posso ver mil coisas e discordar do
negócio, mas com todas as minhas críticas e discordâncias, uma coisa clara é o
talento de Caetano Veloso. É claro feito água. Isso é ponto pacífico.”
· Sergio
Ricardo sobre o Tropicalismo:
http://tropicalia.com.br/ilumencarnados-seres/vozes-dissonantes/sergio-ricardo
“O Tropicalismo veio afirmar coisas com
muita convicção. E eu tenho certeza absoluta que eles não estão muito convictos
do que estão fazendo. É essa convicção empostada que eu não aceito. Acho que
não é duradoura em termos históricos. Parece-me que quando este livro for
publicado nem se falará mais em Tropicalismo.”
· Sidney
Miller sobe o movimento: http://tropicalia.com.br/ilumencarnados-seres/vozes-dissonantes/sidney-miller
O autor debate a “Música Universal”, em
referência ao “Som Universal”, primeiro nome que Caetano Veloso deu para as
músicas tropicalistas. O nome do movimento, Tropicalismo, ainda não havia sido
difundido quando o compositor escreveu esse texto.
Sei bem que, mais
enceguecidos ainda, muitos compositores tardios, ecos preguiçosos de tempos
mais cômodos, escamotearam agora a palavra internacionalista, substituíram-na
por outro, e vêm nos falar contando de música universalista, música universal.
Isto é um verdadeiro primor de ignorância sociológica, pois nem sequer o
proletariado urbano, universalista por fatalidade econômica e técnica, já
produziu música popular que, de qualquer modo, se possa dizer universal. (…) A
tal música universal é um esperanto hipotético, que não existe. Mas existe, não
posso negar, a música internacionalista, a granfinagem tediosa e fatigada dos
Transatlantiques da comédia célebre.
O que é tropicalismo
Gabriella Lopes
O tropicalismo foi um movimento musical
dos anos 60 que também atingiu outras esferas culturais. O marco inicial foi o
Festival de Música Popular realizado em 1967 pela TV Record. Também conhecido como
Tropicália, inovou ao misturar aspectos da cultura nacional com inovações como
o pop art. E não foi só essa a novidade trazida pelo movimento. O Tropicalismo
mesclou também vários estilos musicais como rock, bossa nova, samba, bolero,
etc.
A Tropicália se destacou por lutar contra a
ditadura militar até mesmo por meio das letras, que mostrava a insatisfação com
o regime nas entrelinhas. Ela representou um rompimento com o tipo de arte que
vigorava na época. De modo geral, vamos analisar o que foi o Tropicalismo e
qual foi sua importância no cenário musical e político. Para isso, vamos
entrevistar o professor de História do Brasil da PUC-Rio Rômulo Costa.
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